quinta-feira, 11 de junho de 2009
Tese furada
Ante um quadro desfavorável no âmbito da Tríplice (ou Poli) Aliança de sustentação do governo de Santa Catarina, o PMDB e seus dirigentes maiores, a começar por Eduardo Pinho Moreira, fogem como o diabo da cruz da metodologia indicada por Luiz Henrique, de que se escolha o nome preferencial à candidatura ao governo do Estado através de pesquisa.
Argumenta Eduardo Moreira que "pesquisa não significa supremacia eleitoral, pois o PMDB tem mais vereadores, mais prefeitos, mais vice-prefeitos e mais filiados do que todos os demais partidos". E isto é verdade.
Mas quem disse que este é um indicativo definitivo, também?
Vejamos, pois:
O poderoso PMDB, em 1989, com mais diretórios, mais prefeitos, governadores, maioria no parlamento, mais vereadores no Brasil inteiro, indicou para seu candidato à presidência da República o seu líder maior, Ulysses Guimarães.
Aquela eleição, todos lembram - e se arrependem - foi vencida por Fernando Collor de Mello, do frágil e quase inexistente PRN. Levou mais de 20 milhões de votos, contra 11 milhões e 600 mil de Lula, o segundo colocado. No segundo turno, Collor venceu Lula, contra tudo e contra todos. E o poderio decantado, foi pra onde?
Em 1994, o PMDB lançou Orestes Quércia à presidência. Elegeu-se Fernando Henrique Cardoso, com mais de 34 milhões de votos, contra 17 milhões de Lula. Quércia perdeu até para Enéas Carneiro, do nanico Prona: Quércia teve 2.700.000 de votos contra mais de 4,6 milhões de Enéas. Resumindo, Quércia e o PMDB perderam para um bordão ("Meu nome é Enéééééas!").
Entremos em Santa Catarina. Em 2002, no primeiro turno, Luiz Henrique perdeu para Amin (1,2 milhão contra 918 mil). Mas venceu no segundo turno (1,5 milhão contra 1,49 milhão). Vitória apertada, mas vitória, é verdade. Mas cadê o poderio partidário, contra um candidato acanhado e sem estrutura como Amin?
Em 2006, novamente contra Amin, Luiz Henrique fez 1,6 milhão de votos no primeiro turno contra 1,07 milhão de Amin. No segundo turno, quando se imaginava um banho de votos (afinal, era o poderio partidário e da polialiança que contava, não?), LHS chegou aos 1,68 milhão de votos contra 1,5 milhão de votos de Esperidião Amin, candidato acanhado e sem estrutura. Cadê o poderio partidário?
Voltando a 2002, vamos ao exemplo mais emblemático, que derruba tanto a força das pesquisas quanto a força do "poderio partidário". Para o Senado da República, até a antevéspera da eleição, os nomes cogitados (pesquisas de todos os institutos), eram Paulinho Bornhausen (PFL) e Casildo Maldaner (PMDB). No final, perderam até para o "azarão" do páreo, Hugo Bihel (PPB, atual PP). Elegeram-se Ideli Salvatti (PT) e Leonel Pavan (PSDB). Paulinho chegou em quarto lugar e Casildo ficou em quinto lugar. Cadê o poderio partidário?
Por várias vezes, como se vê, essa tese de "poderio partidário" já deu com os burros nágua. Melhor não insistir muito. Aliás, pela tese de poderio partidário evocada por Eduardo Moreira, ele não deveria ter perdido em Criciúma, Luiz Henrique em Joinville e nem Pavan ter perdido em Balneário Camboriú.
Quando esses cacicões ficam falando essas coisas a gente lembra sempre da verdade mais verdadeira em política: sem combinar com o eleitor, fica difícil sustentar teses de vitória e de forças eleitorais.
Argumenta Eduardo Moreira que "pesquisa não significa supremacia eleitoral, pois o PMDB tem mais vereadores, mais prefeitos, mais vice-prefeitos e mais filiados do que todos os demais partidos". E isto é verdade.
Mas quem disse que este é um indicativo definitivo, também?
Vejamos, pois:
O poderoso PMDB, em 1989, com mais diretórios, mais prefeitos, governadores, maioria no parlamento, mais vereadores no Brasil inteiro, indicou para seu candidato à presidência da República o seu líder maior, Ulysses Guimarães.
Aquela eleição, todos lembram - e se arrependem - foi vencida por Fernando Collor de Mello, do frágil e quase inexistente PRN. Levou mais de 20 milhões de votos, contra 11 milhões e 600 mil de Lula, o segundo colocado. No segundo turno, Collor venceu Lula, contra tudo e contra todos. E o poderio decantado, foi pra onde?
Em 1994, o PMDB lançou Orestes Quércia à presidência. Elegeu-se Fernando Henrique Cardoso, com mais de 34 milhões de votos, contra 17 milhões de Lula. Quércia perdeu até para Enéas Carneiro, do nanico Prona: Quércia teve 2.700.000 de votos contra mais de 4,6 milhões de Enéas. Resumindo, Quércia e o PMDB perderam para um bordão ("Meu nome é Enéééééas!").
Entremos em Santa Catarina. Em 2002, no primeiro turno, Luiz Henrique perdeu para Amin (1,2 milhão contra 918 mil). Mas venceu no segundo turno (1,5 milhão contra 1,49 milhão). Vitória apertada, mas vitória, é verdade. Mas cadê o poderio partidário, contra um candidato acanhado e sem estrutura como Amin?
Em 2006, novamente contra Amin, Luiz Henrique fez 1,6 milhão de votos no primeiro turno contra 1,07 milhão de Amin. No segundo turno, quando se imaginava um banho de votos (afinal, era o poderio partidário e da polialiança que contava, não?), LHS chegou aos 1,68 milhão de votos contra 1,5 milhão de votos de Esperidião Amin, candidato acanhado e sem estrutura. Cadê o poderio partidário?
Voltando a 2002, vamos ao exemplo mais emblemático, que derruba tanto a força das pesquisas quanto a força do "poderio partidário". Para o Senado da República, até a antevéspera da eleição, os nomes cogitados (pesquisas de todos os institutos), eram Paulinho Bornhausen (PFL) e Casildo Maldaner (PMDB). No final, perderam até para o "azarão" do páreo, Hugo Bihel (PPB, atual PP). Elegeram-se Ideli Salvatti (PT) e Leonel Pavan (PSDB). Paulinho chegou em quarto lugar e Casildo ficou em quinto lugar. Cadê o poderio partidário?
Por várias vezes, como se vê, essa tese de "poderio partidário" já deu com os burros nágua. Melhor não insistir muito. Aliás, pela tese de poderio partidário evocada por Eduardo Moreira, ele não deveria ter perdido em Criciúma, Luiz Henrique em Joinville e nem Pavan ter perdido em Balneário Camboriú.
Quando esses cacicões ficam falando essas coisas a gente lembra sempre da verdade mais verdadeira em política: sem combinar com o eleitor, fica difícil sustentar teses de vitória e de forças eleitorais.
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