Se isto ajuda a trilhar os caminhos até aqui tortuosos da abertura e gestão do Hospital Municipal Ruth Cardoso, reporto-me à celeuma sobre o Hospital Infantil Santa Catarina, de Criciúma, agora sob administração do PSDB com o prefeito Clésio Salvaro (antes era do PMDB).O Hospital de lá é público, mantido pelo município. De repente, sob a mudança de administração do município, Clésio Salvaro, o prefeito, resolveu mudar o conceito de atendimento. Houve uma revolução na cidade, até com ações criminosas (por três vezes, de janeiro para cá, o Hospital Santa Catarina sofreu vandalismo, com incêndios criminosos em suas instalações).
O novo conceito – ou nova filosofia, como diria Edson Piriquito – envolveu a transferência do atendimento do hospital, em prédio próprio, para instalações do Hospital São José, um dos maiores do Estado e privado. O caso está em trâmite até agora na Câmara de Vereadores, que deverá autorizar a transferência e discutir o modelo de gestão.
Nota importante: já está deliberado e sacramentado que o atendimento será 100% SUS, apesar de funcionando nas dependências de um hospital privado.
Nota importante 2: o governo do Estado não está com qualquer participação nas verbas de custeio. Nada. Zerinho.
Discutem, presentemente, que haverá um gestor contratado, entidade ou pessoa. Mas será escolhido por licitação, dependendo de parecer jurídico a respeito. O que querem é a inclusão de mecanismos para controle das ações pela sociedade e que os compromissos que estão sendo assumidos sejam bem explicitados na lei específica.
Vejam só: em Criciúma, as discussões envolveram até crimes, como os incêndios criminosos das instalações do hospital. E isto aconteceu de janeiro para cá!
Mesmo assim, com toda a pressão, com condimentos políticos, ideológicos e partidários fortíssimos como só acontecem em Criciúma, onde o PT e outros partidos contrários a Clésio Salvaro tem influência singular; mesmo com pressões de entidades comunitárias, contra e a favor da solução encontrada; mesmo com revoltas explícitas de funcionários; mesmo com demissões de muita gente do corpo de servidores do hospital; mesmo com isso tudo, encontraram uma solução; mesmo com uma oposição acirrada de vereadores (até da bancada governista). E nós, cá ao norte de Floripa, a capital, sem nada de tudo isso, apenas discutindo o modelo de gestão, o suporte financeiro e o início do funcionamento do hospital, que está prontinho da silva, somos incapazes de uma solução aceitável, até aqui.
Olhem que eles não estão construindo um hospital, nem estão adaptando o prédio para funcionar. Eles estão TRANSFERINDO UM HOSPITAL INTEIRO para um outro hospital – saindo de instalações públicas para privadas, o que é, convenhamos, mais complexo. E, até onde se sabe, o atendimento vai continuar sem mais delongas, logo que o processo administrativo-jurídico chegue ao fim.
Será que não estamos perdendo uma boa chance de tomarmos esse exemplo e tocar o barco pra frente?
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Prefeito Piriquito, um recado pessoal, se me permite Vossa Excelência: leia, por favor, Excelência, o artigo "Hospital Público x Hospital Privado: Verdades e Mitos", do economista e mestre em Desenvolvimento Regional, Ademar José Fabre, de Criciúma. Para sua comodidade e não tomar muito do seu tempo, acesse AQUI, prefeito. Ah, e note bem, antes da leitura, Excelência: ele defende, com entusiasmo, a regionalização e até a macro-regionalização do atendimento do hospital, porque, para ele, que é entendido no assunto, não há condições razoáveis de sobrevivência para um hospital municipal, que é municipal só no nome, pois tem, de fato, função de atendimento regionalizado.
(A foto é do Hospital Santa Catarina, de Criciúma. Autoria de Nei Manique, do Portal Engeplus)

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