O brasileiro é refém de políticos imorais porque quer. Afinal, nenhum deles está lá espontaneamente, ungido por milagre. É o voto que os leva aos cargos, ocupados com voracidade imensurável por benefícios pessoais e corporativos, enriquecimentos ilícitos, falcatruas de todos os tipos e tamanhos, nepotismo, hipocrisia, ladroagem explícita, impunidade descarada até para praticantes de crimes contra o povo.Vem eleição, vai eleição e nada muda. Pelo contrário, piora. A cada eleição a formação dos nossos legislativos - federal principalmente - se enche de oportunistas e de cínicos mentirosos que só defendem o seu lado e o povo que se lixe. Povo - repete-se - culpado e único responsável por isso. Nem tanto pelo voto dado, mas pela omissão, pelo conformismo, pelo "deixa pra lá".
Sentimos engulhos de asco ao ler e assistir Sarney afirmar que "quem tem história não pode ser tratado como cidadão comum". E se for um ladrão e safado?
Ora, Getúlio tinha história - e sua história nem se compara a desses trastes que pululam na política atual - e no entanto foi levado ao suicídio, execrado e mutilado em sua dignidade.
Juscelino, um dos maiores estadistas brasileiros, foi humilhado até o derradeiro instante de sua vida. E por motivos vis.
Collor (e estamos indo de um lado a outro das personalidades para traçar um parâmetro tão vasto quanto possível) caiu num impeachment contestado em seus motivos até pela Justiça (ele foi absolvido de todas as acusações que motivaram a sua queda).
O que se quer dizer com isso? Que, no julgamento da História não tem essa de "quem tem um nome". O jogo é impiedoso com os bons e com os maus. Ainda que os maus estejam por cima, ainda que estejam vicejando a todo instante, derrubando e jogando o país num fosso de sujeiras, uma hora o bicho pega. Ou, pelo menos, a gente deseja que pegue. Tá difícil, mas a gente deseja.
Pra o bicho pegar, o povo precisa começar a depurar o sangue político da Nação. Votando certo e trocando o voto quando isso se fizer necessário. Ou, então, tem de ficar quietinho, calado, conformado. Como um carneirinho no redil.
Pior ainda é a gente relembrar os famigerados "caras pintadas" que derrubaram Collor (por motivos que, hoje, deveriam ser julgados pelo Tribunal de Pequenas Causas, comparando-se à roubalheira e à vergonheira atual) e vê-los hoje, quietinhos como crianças de fralda cheia, alheios a tudo, preferindo passeatas ridículas contra o presidente do Supremo, Gilmar Mendes (ah, sim, só para aguçar a nossa memória: cadê o imponente ministro Joaquim Barbosa? Apagadíssimo. Deram-lhe um "tranco" em regra, pelo jeito...).
Às vezes tememos o pior: que fiquem cada vez mais fortes ("pelo bem da governabilidade", como disse Aluysio Mercadante, do PT - suprassumo da subserviência) os Renans, os Sarneys, os Barbalhos, os Severinos Cavalcantis, ídolos defendidos (que absurdo!) pelo presidente Lula abertamente e todos os dias.
Estamos cansados.
(A imagem ilustrativa é da campanha oportuníssima do Ministério Público Estadual, encetada, se não me engano, pelo Promotor de Justiça Afonso Ghizzo Neto, meu conterrâneo do Araranguá)

0 comentários:
Postar um comentário