domingo, 6 de dezembro de 2009

Mengo: é hoje!

De um time improvável de chegar à final, o Flamengo depende somente de si para ser campeão brasileiro.
O Mengão é uma equação matemática. É um time lógico. Aquela camisa pesa sobre os adversários. Maracanã vai tremer.

Nos últimos 17 anos, o Flamengo lutou para não ser rebaixado e se especializou em Estaduais. Era só uma sombra do Flamengo que obteve conquistas que o alçaram ao topo do futebol do Brasil. Agora, basta uma vitória sobre o Grêmio, hoje, às 17h (horário de Brasília), no Maracanã, para chegar ao título.


Este é o meu time.

Invasão de privacidade

A conversa gira em torno da implantação de documento único de identidade e dos riscos à privacidade e à possibilidade de abusos na vigilância estatal.

O perigo da exposição dos dados pessoais. Órgãos do governo federal já falharam na proteção de dados sigilosos em sua posse. Em abril de 2000, uma investigação da Polícia Civil de São Paulo revelou o vazamento de dados de 11,5 milhões de contribuintes. As declarações do Imposto de Renda de 7,9 milhões de pessoas e 3,9 milhões de empresas eram vendidas por até R$ 8 mil por empresas de cadastro para mala direta.

O modelo fracassou em vários países. Países europeus e os Estados Unidos já tentaram implantar sistemas de identidade única com bancos de dados centrais, mas os processos não prosperaram devido à resistência da população. Cidadãos temiam que tal sistema pudesse levar à invasão de sua privacidade e ao monitoramento do estado em suas vidas.

Essas informações estão em matéria especial, veiculada no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba. Leitura necessária para esclarecer os que, quem sabe em 2017 (cerca de 150 milhões de pessoas), poderão estar com o documento único de identidade nas mãos.

Lei Seca, a piada

(Manchete do Jornal da Tarde - São Paulo)

Lei Seca, a piada de mau gosto. Você soprou bafômetro em blitz policial em 2009? Poucos brasileiros o fizeram e muitos deles beberam além da conta, alguns até se envolveram em acidentes. Acidentes graves, até com mortes. Como acreditar numa lei assim, feita para moralizar e, no entanto, ela mesma se desmoraliza pela inação das autoridades?

LEIA AQUI matéria especial a respeito. Serve para qualquer cidade deste país.

Não se trata somente de uma lei específica, como a Lei Seca. Trata-se de um sistema de controle - o de trânsito, regido pelo Código de Trânsito Brasileiro - perdido, jogado no lixo. O caso do deputado paranaense que, com mais de 100 pontos na CNH por várias infrações, useiro e vezeiro em andar em velocidade excessiva, matou, num acidente, dois jovens e andando a uma velocidade incrível (190 km/h) em uma avenida de Curitiba, na madrugada. Completamente bêbado. A prova mais contundente (o bafômetro), foi anulada pela Justiça porque ele "não concordou" em soprar o aparelho e o fez "forçado" pela polícia.

Carli Filho, o deputado, deverá ficar solto. Os meninos que ele matou estão presos, no fundo de um túmulo no cemitério e sua família enterrada num sofrimento eterno. Menos pela morte dos meninos, mais pela impunidade do autor.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Balneabilidade

Resultado da análise de balneabilidade da Fatma para Balneário Camboriú:

Praia de Taquaras (meio da praia), Praia Central: em frente às Ruas 3000, 2500, 1400 e 51. Estes são os pontos impróprios, analisados no primeiro relatório de balneabilidade produzido pela Fatma na temporada de verão. Dez de quatorze pontos.

Estão bons: Laranjeiras, Taquaras (em frente à escola), Pontal Norte, Ruas 1001, 2000, 4900, 4000, 3500, Estaleiro.

Veja AQUI o relatório completo dos 193 locais catarinenses.

Lixo x energia

Pesquisadores da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) querem aumentar a eficiência energética da Usina Verde, que funciona desde 2004 na Ilha do Fundão, na zona norte da cidade. O objetivo é ampliar a capacidade de produção de energia da usina.

O projeto, da iniciativa privada, teve a parte de tecnologia aprimorada pela Coppe e trabalha com a incineração de lixo urbano, destruindo os gases causadores de efeito estufa na atmosfera, além de transformar em energia quase todos os resíduos sólidos recebidos. O pesquisador Luciano Basto, do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG) da Coppe, coordenador do projeto Usina Verde, disse à Agência Brasil que a ideia é “tentar aumentar a escala e ajudar que se torne uma realidade no Brasil”.

Ele informou que a Usina Verde já faz isso em pequena escala. O sistema, porém, está capacitado para gerar o dobro de energia atual que é usada para autoconsumo. Com as 30 toneladas de lixo tratado que recebe por dia, provenientes do aterro sanitário da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) no Caju, a Usina Verde tem potência de 440 quilowatts (kW). Se funcionasse em tempo integral, isso representaria cerca de 3.500 megawatts/hora (MWh) por ano, o que seria suficiente para abastecer 1.500 residências.

Luciano Basto salientou que esse é um projeto piloto. Uma unidade comercial teria cinco vezes esse tamanho. Estimou que para 150 toneladas/dia de resíduos sólidos, poderia ser gerada energia suficiente para abastecer 8 mil residências.

Segundo o pesquisador, a ideia do grupo privado que administra a usina é desenvolver tecnologia para ser comercializada. A Coppe auxilia no processo. Esse tipo de unidade trabalha com três receitas: tratamento de lixo, comercialização de energia elétrica e térmica e créditos de carbono.

Nos últimos seis meses, a Usina Verde passou por uma auditoria do Bureau Veritas, escritório internacional de certificação, para se habilitar a receber créditos de carbono, isto é, bônus negociáveis em troca da não poluição do meio ambiente. Basto informou que durante esse período, a usina comprovou a redução de 2 mil toneladas de emissões de gás carbônico das 30 toneladas de lixo recebidas por dia. Isso dá uma média de meia tonelada de gás carbônico por tonelada de lixo tratado.

“Significa dizer que qualquer usina que venha a ser instalada pode pleitear créditos [de carbono]”. Basto lembrou que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, definiu metas para redução das emissões na cidade, destacando transporte e lixo como áreas importantes de trabalho com essa finalidade. “Tratar o lixo, gerando eletricidade é uma forma de resolver três fontes de mitigação. Uma delas é o lixo. A outra é a queima de combustíveis fósseis para gerar eletricidade e a terceira é o diesel que se consome para transportar o lixo até os aterros”.

A Coppe presta assessoramento técnico a qualquer grupo privado que queira implementar usinas para incineração de lixo e transformação em energia, utilizando tecnologia limpa. O pesquisador destacou que existem mais de mil usinas desse tipo funcionando em todo o mundo. “Para se ter uma ideia, a geração elétrica a partir do lixo, em 2006, foi equivalente ao consumo de eletricidade pelo setor residencial brasileiro em 2007”.

Naquele ano, o consumo das famílias no Brasil atingiu 90 milhões de MWh. Basto explicou que a energia gerada a partir do lixo representa entre 3% e 4% das matrizes nacionais. “Mas todo o lixo que foi utilizado para gerar eletricidade no mundo em 2006 equivaleu ao que as residências brasileiras consumiram em 2007, o que é algo significativo”.

Luciano Basto espera que até o terceiro trimestre de 2010, o Centro Tecnológico da Coppe conclua o sistema de aumento de eficiência da Usina Verde, visando ao melhor aproveitamento do calor gerado, com menos investimentos. “Dispor de muito mais eletricidade. Então, passa a haver mais receita”, afirmou.


(Agência Brasil)

O conceito falso do protetor solar

Durante a 11ª Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Pele – realizada hoje (5) pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – a coordenadora de câncer de pele da Secretaria de Saúde do Ditrito Federal, Roula Kozak, alertou para o que chama de “falso entendimento” em relação ao uso do filtro solar.

“Não adianta usar o protetor e exagerar no sol. É como fazer muita ginástica e depois comer bolo de chocolate”, explicou. Segundo ela, a população deve evitar tanto a exposição prolongada ao sol quanto a exposição recorrente, feita diversas vezes, já que a ação do sol tem efeito cumulativo.

O objetivo da campanha, de acordo com a dermatologista, é orientar e prevenir a população, além de fazer a detecção precoce do câncer de pele. O paciente que procurar um dos postos espalhados em 23 estados brasileiros passa por um atendimento dermatológico completo e sai com prescrição de medicamentos ou mesmo com um pedido de cirurgia para remoção de lesões duvidosas.

É o caso da auxiliar administrativa Andréia Marçal que, apesar de ter pele muito branca, sempre insistiu em pegar um bronzeado. Aos 38 anos e com uma lesão próxima ao nariz que não cicatrizava, ela recebeu o diagnóstico de carcinoma – o tipo mais comum de câncer de pele e com mais chances de cura.

A cirurgia de Andréia foi marcada pela própria equipe da campanha para a próxima segunda-feira (7). Mas mesmo após a remoção da lesão, é preciso ficar de olho porque a chance de reincidência ou de novas lesões é maior para quem já teve a doença. Depois do diagnóstico, a paciente passou a usar filtro solar diariamente – inclusive em dias de chuva.

“A gente, às vezes, não dá importância e isso passa despercebido no corre-corre do dia a dia. A coisa é bem mais séria. Eu não queria ficar morena, mas queria um bronzeado e judiei demais da minha pele. Se soubesse, não teria sido assim”, contou.

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam o câncer de pele como o de maior incidência no Brasil desde 2005. Quem quiser saber mais sobre a doença e sobre o autoexame deve acessar o site
www.inca.gov.br.

(Agência Brasil)

Choques reais e choques de semântica

Pavan e Piriquito conversaram. Isto é bom e sempre será bom para a cidade. Fiquem eles com suas convicções e interesses políticos e partidários, os pessoais inclusive, sem macular o caminho dos interesses da cidade.

Isto se encaminhou em vários momentos e em outros tantos tentaram torpedear (os eternos incendiários da política local).

O interessante é que os dois estão conscientes deste papel conciliador, tantas vezes e sempre defendido aqui, neste espaço e por este escriba. O que acontece às vezes é a colocação de obstáculos reais, materiais ou semânticos no processo de conciliação dessas duas forças ponderáveis de nossa política.

É até normal que se digladiem - nenhum inconveniente ou estranheza -, afinal são adversários políticos disputando o mesmo espaço. Só que um é vice-governador do Estado com prestígio e força de execução e será governador por pelo menos um ano, com força total e irrestrita, de caneta cheia e o outro é prefeito carregado de ideias e furor realizador, começando seu segundo ano de mandato, daqui a pouco, com um orçamento elaborado a seu feitio e muitos projetos na prancheta. Ao invés de dividi-los, melhor - muito melhor -, uni-los em favor de obras e serviços para nós.

O que acho é que precisam os dois tomar cuidado com o que dizem um em relação ao outro. Não personalizar ou subjetivar suas críticas. Falar, de preferência vis-à-vis, evitando os intermediários ou as conversas baseadas em hipóteses de "amigos" e "conselheiros".

Tenho conversado com os dois - Pavan e Piriquito -, como converso semanalmente, pelo menos uma vez, com Dado Cherem. São os três monstros sagrados da nossa política, os pilares da nossa sorte. Todos me reconhecem como um conciliador convicto e persistente - mania de acreditar que os opostos políticos podem se atrair. Nunca vou perder esse romantismo político, desde que em jogo esteja a vida comunitária. É disso que sou composto, de um sentimento de harmonia que me alimenta em casa, nas ruas, na política, no trabalho e até nas conversas amenas do lazer. Herdei isso de minha mãe e me orgulho muito.

Quanto à última conversa entre Pavan e Piriquito, sobre o Centro de Eventos da Santur, o vice-governador mandou o presidente da Santur vir conversar com o prefeito para conhecer suas ideias e ver uma forma de cooperação entre estado e município. Piriquito aceitou e conversou. A conversa foi produtiva. Mas a nota distribuída pela assessoria do prefeito procurou, por todas as formas, tirar o mérito de Pavan na iniciativa - queixa do vice-governador. Olhando bem, até que é verdade.

Ora, penso eu que as assessorias, todas elas, e não falo apenas na assessoria do prefeito ou do vice-governador, devem cuidar de remeter à imprensa o relato fiel, técnico, com dados mais ricos quanto possíveis sobre os acontecimentos - e não ficar adjetivando, cantando loas aos seus assessorados, exaltando gostos ou prazeres. Ou se deixando levar por preferências políticas, partidárias ou ideológicas. Deixem que a imprensa adjetive, se for o caso. Que enalteça ou critique.

Essas peças adulatórias ou sectárias de nada servem. Ninguém quer saber, ao ler um release, se o prefeito, o vice-governador, o presidente ou o ministro, ficaram contentes ou tristes com isso ou com aquilo. Esses sentimentos não farão parte da notícia, com certeza. O próprio contexto da informação resultará em que a imprensa sinta a contrariedade ou a satisfação da autoridade e assim explore o fato da maneira que achar melhor. Basta passar para o texto a conotação correta, sem os exageros habituais. Com tecnicismo, embora até com postura de defesa do assessorado, o que é legítimo e afinal é para isso que as assessorias existem.

Prefeita sofre...

A Luzia, prefeita de Camboriú, coitada, é malhada até por prestar homenagens. Se ela faz, tentam desmerecer. Se não faz, batem pela omissão.

É forte a prefeita. Tá poderosa. Ninguém critica tanto quem é frágil e babaca, podem ter certeza.

Tudo porque acham que um jantar de final de ano de homenagem à imprensa faria a diferença ou simbolizaria um terrível mal à vida da cidade comandada pela Luzia.

A Luzia não merece isso. A imprensa até pode ser que mereça. Afinal de contas, estavam lá aqueles que admiram a prefeita como gestora municipal e evitam criticá-la e também aqueles que pegam pesado, até com certa injustiça, em muitos casos.

O fato é que a prefeita, em qualquer caso, jamais deixa sem resposta. E costuma reconhecer suas limitações.

Vamos, porém, a uma avaliação daquilo que se pode entender como mote gerador das críticas.

Camboriú vive um drama pontual de falta de água em alguns locais, o que é lamentável e incompreensível e precisa ser urgentemente resolvido.

Sobre isso, me pareceu um erro brutal Camboriú querer gerir o serviço de água e esgoto, ao invés de juntar-se a Balneário Camboriú e formar uma única empresa. O resultado aí está: Balneário tem a Emasa produzindo um trabalho espetacular e, inclusive, em atrito judicial com Camboriú, por causa da tese de que a água do Rio Camboriú tem dono. Uma bobagem do tempo do Edinho. Criou uma guerra em que só Camboriú está perdendo.

Camboriú vive uma carência na área de promoção turística. E quanto se fala em promoção turística, não é demonstrar, como fartamente ficou demonstrado em material que me foi enviado, comprovando participação em eventos promocionais da cidade em vários locais do Estado e do país.

O que precisa é instituir-se uma política de turismo consentânea com o município, apresentando-o com suas potencialidades e, principal: que essas potencialidades funcionem como devem funcionar.

Camboriú tem, e a gente concorda com as críticas neste sentido, uma avassaladora potencialidade turística: turismo ecológico, turismo rural, turismo de esportes radicais, turismo histórico, só para citar os principais. Isso não vem sendo explorado como deve ser, porque faltam elementos vitais para a sua concretização, infraestruturalmente falando. Telefonia é uma delas (quando se vai a muitos locais do município, o sinal de celular simplesmente some), uma boa mídia promocional é outra.

Outro aspecto importante é que Camboriú é o berço cultural da região e, no entanto, isso é pouco explorado. Exploração no sentido turístico mais amplo. Para se concluir por essa realidade, basta ler meia dúzia de linhas dos trabalhos literários do Isaque Borba Correia.

(Na foto, a prefeita Luzia, antiflamengo convicta e palmeirense roxa, foi obrigada a posar com quatro rubro-negros: Magru Floriano, Joaquim Lacerda, eu e o Cabelo)

Duchas e banheiros, afinal

Um acordo entre a Prefeitura de Balneário Camboriú e a Associação dos Quiosqueiros do município, foi firmado na tarde desta sexta-feira, 4, em uma reunião ocorrida na Secretaria do Meio Ambiente.

Ainda para esta temporada de verão, os banheiros dos 43 quiosques da Praia Central serão reformados para atender com dignidade turistas e moradores da cidade.

Após o veto da Câmara de Vereadores à proposta da Prefeitura em criar módulos de banheiros com fraldários em quiosques e que seriam administrados por uma empresa que se instalaria nos novos banheiros após processo licitatório, quiosqueiros e Prefeitura chegaram a uma solução boa para todos.

Como o prefeito Edson Piriquito não concorda que o acesso a esses banheiros seja livre, será sugerida uma taxa de utilização para manter a limpeza do local. “A intenção não é lucro e sim dar condições à empresa concessionária em manter os banheiros limpos e em condições de excelência para os turistas e a população”.

“Estamos firmando esse acordo e não tenho o interesse de prejudicar ninguém, mas usarei o poder quando necessário, se faltar cooperação. Por isso vamos ser parceiros e procurar trabalhar da melhor forma, em condições adequadas de oferecer o melhor para o município”, pediu Piriquito.

O prefeito revela que a intenção é mostrar um equipamento limpo (quiosque e banheiros), bonito, que faça jus a Balneário Camboriú. O prazo para o início das obras, se não houver embargo, será em 10 dias.

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ISTO SE CHAMA "dar a volta por cima". A busca de alternativa para resolver a questão dos banheiros e chuveiros na orla merece elogios. As adversidades, muitas vezes, são apenas formas criadas para instigar a criatividade. Pois, pelo visto, ao invés de 12 ou 15, teremos na praia 43 banheiros (femininos e masculinos), um em cada quiosque, e ainda fraldários. E pelo menos a ducha deve ser cobrada, sim. Afinal, todos pagamos pelo uso da água. Essa teoria de cessão de banheiros de graça na orla é inviável. Se essa conversa com os quiosqueiros tivesse ocorrido há mais tempo, o problema não existiria. Durante todo o tempo - desde o início da implantação dos quiosques - os banheiros estavam à disposição, mas nunca funcionaram. E havia cobrança quando funcionavam. Nunca ninguém reclamou disso, só da falta.

Devedores e CPIs

Refis e CPI do Santa Inês, duas matérias aprovadas pela Câmara nesta semana, marcaram-se pela polêmica.

No primeiro caso, o Refis, a contrariedade partiu do vereador Dão Koeddermann (PSDB), declarando-se contrário à matéria por entendê-la como a instituição de um prêmio aos maus pagadores e um castigo para os cumpridores dos prazos no pagamento de tributos municipais.

Enquanto isso, o líder do governo, vereador Claudir Maciel (PPS), defendeu o projeto como uma forma de aliviar a situação de muitas pessoas prejudicadas com as chuvas de novembro de 2008 e outras, empresas e particulares.

Para Maciel, houve casos de perda quase total de bens e propriedades, surgindo a necessidade de refazer patrimônios e cobrir prejuízos.

Nestes casos, obrigações deixaram de ser cumpridas, inclusive impostos. Por isso, disse ele, a medida se tornou necessária.

Uma emenda do vereador Orlando Angioletti (DEM), limitou em R$ 100 mil o total de débitos passíveis de cadastramento no Refis aprovado.

A medida foi boa e, assim, minimiza-se o motivo da crítica e da exceção colocada por Dão Koeddermann. Grandes devedores, muitos habituais há anos, ficaram de fora.

Dão informou, em entrevista concedida ao Canal Transamérica, que tem em mãos uma lista dos 500 maiores devedores de IPTU do município e o que deve menos, deve R$ 30 mil.

Caso emblemático é o que o Diarinho do Litoral mostrou: a Rede Sagres de Hotéis teria débito comprovado de aproximadamente R$ 13 milhões, segundo ação que tramita na Justiça desde 1997. Se está na Justiça, está aguardando julgamento. Mas depois disso, os impostos foram pagos normalmente? É caso único? E quanto aos 500 maiores devedores, está havendo encaminhamento de cobrança executiva? Houve omissão? É preciso saber.

Favorecer inadimplentes com redução de juros, correção e multa, convenhamos, não é muito justo com quem pagou em dia, a não ser que, em contrapartida, se criem premiações aos bons contribuintes, o que é lícito, juridicamente falando. Por que não? Mas, enfim, todo mundo faz Refis. O fato de, por aqui, nunca ter havido nada igual, somente parecido, não quer dizer que tenha de ser evitado a qualquer preço.

CPI

A CPI do Santa Inês foi formada. Somente por vereadores de oposição: Dão (autor do requerimento), Fabrício e Hannibal. Sob protestos da situação, que queria a relatoria. Negada a possibilidade, situacionistas preferiram ficar de fora. Nem como membro aceitaram. A situação fica ruim por vários aspectos:

1) Os integrantes deliberarão ao seu modo, podendo (é só uma hipótese) deixar de observar este ou aquele detalhe que, eventualmente, atinja pessoas ou períodos que firam gente sua (governos anteriores). Ou, ao contrário, carregar nas tintas quando se tratar de enquadrar pessoas do atual governo.

2) A situação, ao radicalizar, também perde a chance de, estando dentro da CPI, ter acesso a informações e impedir favorecimentos ou omissão de providências.

3) Se tudo ficar como está e não ocorrer interveniência judicial questionando a legitimidade da CPI, tudo o que se fizer no curso dos trabalhos, estará sob ângulos de suspeição, embora Dão tenha dito que haverá seriedade, o que não se duvida. Mas, afinal de contas, estamos tratando de posturas políticas e político-partidárias, não apenas de questão administrativa e de ética com o dinheiro público.